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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 50 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: estrelas, venera, estrela, terra, sistema, astrobiologia, pouso, elementos, sonda, superfície.

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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA Ano 13 - Nº 50 - Junho/2026 ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL O BALÉ DAS ESTELAS BINÁRIAS UMA "ENTREVISTA" COM GALILEU GALILEI ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL UMA "ENTREVISTA" COM GALILEU GALILEI POR QUE ENSINAR ASTROBIOLOGIA NAS ESCOLAS? NUCLEOSSÍNTESE ESTELAR O PROGRAMA ESPACIAL VENERA

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SUMÁRIO 09 19 Ano 13 | Edição nº 50 | 2026 14 35 Conselho editorial: Adriane Casteleira Maico A. Zorzan Rafael Cândido Jr. Wilson Guerra Redatores desta edição: Rafael Cândido Jr. Ricardo Francisco Pereira Wilson Guerra Diagramação: Wilson Guerra Astrofotos: Cristóvão Jacques EXPEDIENTE Capa: Lua Crescente Newton Cesar Florencio O BALÉ DAS ESTRELAS BINÁRIAS POR QUE ENSINAR ASTROBIOLOGIA NAS ESCOLAS? NUCLEOSSÍNTESE ESTELAR UMA "ENTREVISTA" COM GALILEU GALILEI PRIMEIRA PARTE 26 O PROGRAMA ESPACIAL VENERA

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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Satélites Starlink Local: base de Vandenberg Data: 21/06/2026 Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Teste com cápsula cargueira Starfall Local: cabo Canaveral Data: 23/06/2026 Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos) Soyuz MS-29 (tripulação para ISS) Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 14/07/2026 Foguete: Atlas 5 (ULA) Satelites de comunicação Leo Atlas 08 Local: cabo Canaveral Data: 02/07/2026 Foguete: Soyuz 5 (Roscosmos) Satélite comercial Kinosputnik Local: Cosmódromo de Vostochny Data: 02/09/2026 RÚSSIARÚSSIA EUAEUA Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Starlink Local: base de Vandenberg Data: 25/06/2026 Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos) Satélites Rassvet-2 Local: Cosmódromo de Plesetsk Data: 06/2026 Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos) Progress MS-35 (mantimentos para ISS) Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 09/09/2026

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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: GSLV-II (ISRO) Satélite Gisat-2, imageamento da Terra Local: Satish Dhawan Space Centre Data: 06/2026 ÍNDIAÍNDIA CHINACHINA Foguete: Não confirmado Satélite da CASC Local: base de Wenchang Data: 22/06/2026 Foguete: Electron (RocketLab) Satélite japonês Synspective Local: Base da península Mahia Data: 06/2026 NOVA ZELÂNDIANOVA ZELÂNDIA Foguete: Não confirmado Satélite da CASC Local: lançamento marítimo Data: 06/2026 Foguete: Electron (RocketLab) Satélite japonês da empresa iQPS Local: Base da península Mahia Data: 06/2026

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Atividades de abril a junho/2026 Atividades de abril a junho/2026 Soyuz MS-30: Roscosmos (14/07/2026)Soyuz MS-30: Roscosmos (14/07/2026) Astronautas Jack Hathaway e Jessica Meir durante experimentos em microbiologia. Astronautas Jack Hathaway e Jessica Meir durante experimentos em microbiologia. O cosmonauta Sergey Ryzhikov na extremidade do braço robótico europeu, trabalha na instalação de uma câmera de alta resolução. O cosmonauta Sergey Ryzhikov na extremidade do braço robótico europeu, trabalha na instalação de uma câmera de alta resolução. A astronauta Sophie Adenot com o OCT, dispositivo de imagem usado para exames oftalmológicos que permite monitorar a visão dos astronautas. A astronauta Sophie Adenot com o OCT, dispositivo de imagem usado para exames oftalmológicos que permite monitorar a visão dos astronautas. Próximas ExpediçõesPróximas Expedições Crew-13: SpaceX (13/09/2026)Crew-13: SpaceX (13/09/2026) Tripulação atualTripulação atual ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONALESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Principais atividades: abril a junho/2026Principais atividades: abril a junho/2026

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Estação Espacial TiangongEstação Espacial Tiangong Principais atividades: abril a junho/2026Principais atividades: abril a junho/2026 Tripulação atual (Shenzhou-23)Tripulação atual (Shenzhou-23) Hora da refeição.Hora da refeição. Troca de tripulação.Troca de tripulação. Os taikonautas iniciam testes com nova tecnologia mais eficiente de painéis solares. Os taikonautas iniciam testes com nova tecnologia mais eficiente de painéis solares.

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Nebulosa de Órion (M42) 22/04/2026 Belo Horizonte/MG - Brasil Astrofotógrafo: Cristóvão Jacques Nebulosa de Órion (M42) 22/04/2026 Belo Horizonte/MG - Brasil Astrofotógrafo: Cristóvão Jacques

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www. RECURSOSdeFÍSICA .com.br Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.

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09 Rafael Cândido Jr. [email protected] Ao observamos as estrelas do céu noturno a olho nu, vemos pontinhos luminosos com maior ou menor intensidade. Alguns desses pontinhos são sistemas de duas estrelas. Neste artigo vamos conhecer um pouco mais sobre estes pares estelares. Definição Uma estrela binária, também denominada por sistema estelar binário, é um sistema de duas estrelas gravitacionalmente ligadas, ou seja, ambas orbitam em torno de um centro de gravidade que pode estar externo ou interno a uma das estrelas. Sistemas binários são objetos muito importantes no estudo de Astrofísica porque permitem a medição direta das massas estelares. Como não são observáveis a olho nu, os sistemas binários necessitam de equipamentos como telescópios ou radiotelescópios para serem detectados. As primeiras observações ocorreram após a invenção do telescópio e foram denominadas de estrelas duplas. Atualmente, essa denominação é aplicada a um par de estrelas que, visualmente, parecem próximas no céu quando vistas da Terra através de um telescópio óptico, porém não estão ligadas gravitacionalmente. É a partir da observação do movimento relativo entre as estrelas que se distingue entre estrelas duplas e estrelas binárias. Porém, a ASTROFÍSICA O BALÉ DAS O BALÉ DAS ESTRELAS BINÁRIASESTRELAS BINÁRIAS

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encontrar uma estrela próxima emparelhada com uma estrela distante para que pudesse medir a mudança de posição da estrela próxima à medida que a Terra orbitava o Sol, ou seja, medir sua paralaxe. Isso permitiria calcular a distância até a estrela próxima. Em 1803, Herschel havia observado mudanças nas posições relativas de cerca de 700 estrelas duplas desde as suas primeiras observações. Concluiu que não eram mudanças da paralaxe da órbita da Terra e sim uma estrela orbitando a outra, propondo a expressão 10 observação de estrelas binárias de longo período pode ser difícil de distinguir de estrelas duplas, necessitando de técnicas de observação mais acuradas. Descoberta As primeiras observações, ainda denominadas de estrelas duplas, foram realizadas por Giovanni Battista Riccioli, em 1650, ao observar a estrela Mizar na constelação da Ursa Maior e pelo padre francês Jean de Fontenay, em 1685, ao observar a estrela Acrux da constelação do Cruzeiro do Sul. A evidência de que os pares de estrelas eram mais do que simples alinhamentos ópticos surgiu em 1767, quando o clérigo inglês John Michell se tornou a primeira pessoa a aplicar a matemática da estatística ao estudo das estrelas. Ele concluiu que as estrelas emalguns sistemas estelares duplos poderiam ser atraídas umas pelas outras pela força gravitacional, fornecendo assim a primeira evidência da existência de estrelas binárias e aglomerados estelares, como as Plêiades. Em 1779, William Herschel começou a observar estrelas duplas na esperança de estrelas binárias para diferenciar de estrelas duplas. A primeira órbita de uma estrela binária foi calculada em 1827 pelo astrônomo francês Felix Savary. Anos depois, descobriu-se que a estrela estudada por ele, Xi Ursae Majoris (a 14ª estrela mais brilhante da constelação da Ursa Maior; pois a 14ª letra do alfabeto grego é a Xi, lida como csi) é um sistema de múltiplas estrelas. Classificação dos sistemas binários Há várias classificações para Sistema binário de Alfa Centauri, o mais próximo do Sistema Solar. Fotografia do Telescópio Espacial Hubble. AstroNova . N.50 . 2026

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11 as estrelas binárias indo desde a forma como é observada a até qual a natureza das estrelas constituintes do sistema. Conforme a observação A tabela 1 apresenta a classificação das estrelas binárias de acordo com o método pelo qual foi descoberta. Alguns sistemas binários podem apresentar mais de AstroNova . N.50 . 2026 um método de observação. Isto ocorre porque diferentes observatórios podem realizar o registro de um determinado sistema binário utilizando um método diferente. Por exemplo, várias binárias espectroscópicas também são binárias eclipsantes. Conforme a transferência de gás estelar Outra classificação baseia-se na transferência de gás estelar entre as estrelas que constituem o sistema binário. Binária separada: é um sistema binário onde cada estrela está dentro do seu lóbulo de Roche, ou seja, a área onde a atração gravitacional da própria estrela é maior do que a da outra componente. Enquanto as estrelas estão na Sequência Principal da evolução estelar, elas não possuem uma grande influência uma sobre a outra e, desta forma, evoluem separadamente. A maioria das binárias pertence a esta classe. (figura 1) Binária semi-separada: é um sistema binário no qual uma das estrelas preenche o seu lóbulo de Roche e a outra não. Neste tipo, o gás da superfície da componente que preenche o lóbulo de Roche (denominada estrela doadora) é transferido para a outra estrela. A Figura 1. Modelo de binária separada. Figura 2. Modelo de binária semi-separada. À esquerda, estrela doadora e à direita, estrela acretora.

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12 Figura 9 12 Representação artística de uma variável cataclísmica. transferência de massa domina a evolução do sistema (figura 2). A estrela que recebe o gás da outra forma um disco de acreção em torno de si, sendo denominada estrela acretora. Conforme a natureza de uma das componentes Quando um sistema binário tem como componente uma estrela compacta (anã branca, estrela de nêutrons ou buraco negro); o gás da estrela doadora pode ser atraído em direção ao objeto compacto. Este processo faz com que o gás seja aquecido e emita radiação. Quando a estrela compacta é uma anã branca, o sistema binário recebe o nome de variável cataclísmica. E quando é uma estrela de nêutrons ou um buraco negro, o sistema binário é denominado binária de raios X, devido à radiação emitida pelo gás aquecido. Nomenclatura De forma simplificada, as estrelas componentes do sistema binário são identificadas pelos sufixos A e B acrescentados à designação do sistema. Assim, o sistema binário de Alfa Centauri pode ser denominado Alfa Centauri AB, que consiste da estrela Alfa Centauri A e da estrela Alfa Centauri B. As componentes de um sistema binário também podem ser designadas conforme a sua temperatura de superfície, sendo uma estrela denominada companheira quente e a outra denominada companheira fria. Como exemplo tem-se a estrela Antares, que é uma supergigante vermelha com temperatura de superfície de 3500 K, denominada Antares A. Sua companheira é uma estrela azul, com temperatura de superfície de 18500 K chamada Antares B. AstroNova . N.50 . 2026

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13 Sistemas planetários em binárias Observações feitas por telescópios espaciais mostram que apenas um terço dos sistemas binários possuem planetas. Isto pode ser resultante da dificuldade de detecção de planetas nos sistemas binários. Representação artística de um planeta ofuscado pelas estrelas de um sistema binário. A figura 4 apresenta duas possibilidades de órbitas planetárias em sistemas binários. A órbita do tipo S aplica-se a planetas que orbitam uma das estrelas do sistema e a órbita do tipo P, que orbitam o centro de rotação de ambas as estrelas. Na ficção científica encontramos referências a planetas orbitando sistemas binários, ternários ou até múltiplos (cita-se o magnífico Nightfall de Isaac Asimov, no qual o planeta orbitava um sistema de seis estrelas). Na realidade, certas faixas orbitais são impossíveis por razões dinâmicas; o planeta poderia ser ejetado para fora do sistema ou, poderia ser “engolido” por uma estrela. Outro problema seria o planeta manter uma biosfera pois, ao estar em um sistema binário, este planeta pode apresentar variações extremas de temperatura de sua superfície ao longo de sua órbita. Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química. Integra o grupo de astronomia Arcturus, da UFABC. Para saber mais: Physics of binary star evolution. Thomas M. Tauris. AstroNova . N.50 . 2026 Figura 4. Tipos de órbitas planetárias em sistemas binários.

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14 Ricardo Francisco Pereira www.recursosdefisica.com.br O que é Astrobiologia? A Astrobiologia é um ramo interdisciplinar da Ciência que se dedica ao estudo da origem, evolução e futuro da vida no Universo. Sua origem remonta à necessidade de compreender a vida não apenas como um fenômeno isolado em nosso planeta, mas integrando conhecimentos de diversas áreas, como Biologia, Química, Física, Astronomia, Geologia e Filosofia. Essa integração é fundamental EDUCAÇÃO POR QUE ENSINAR ASTROBIOLOGIA NAS ESCOLAS? para superar a fragmentação do conhecimento nas escolas. O objetivo central da Astrobiologia é responder as perguntas fundamentais que acompanham a humanidade há muito tempo: Como a vida surge na Terra? O que torna um mundo habitável? Existe vida em outros lugares do Universo? Como detectamos vida fora da Terra? Quais são as condições mínimas necessárias para o surgimento de vida? Qual é o futuro da vida na Terra e no espaço? Os conceitos centrais da Astrobiologia são: habitabilidade, que envolve a identificação de zonas habitáveis nas estrelas, que é uma região do espaço que um eventual planeta ou satélite natural possa ter água líquida em sua superfície, além da análise de mundos oceânicos, como as luas Europa (de Júpiter) e Encélado (de Saturno), o estudo de atmosferas planetárias e das condições mínimas para o surgimento da vida. POR QUE ENSINAR ASTROBIOLOGIA NAS ESCOLAS?

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A busca por vida extraterrestre baseia-se na identificação de biomarcadores ou bioassinaturas, que são assinaturas químicas ou espectroscópicas indicativas de atividade biológica, como a presença de oxigênio, metano ou clorofila em exoplanetas (planetas orbitando outras estrelas). Além disso, o estudo de extremófilos (organismos capazes de sobreviver em condições extremas na Terra) serve como análogo para entender os limites da vida e as possibilidades de sua existência em outros ambientes planetários, além de também investigar a origem da vida na Terra. No contexto educacional, a Astrobiologia pode atuar como uma poderosa ferramenta de integração entre diferentes áreas. Ela ajuda a superar a fragmentação do conhecimento escolar, conectando disciplinas que tradicionalmente são ensinadas de forma isolada. Para complementar, por ser um tema fascinante, possui um grande potencial para engajar os estudantes no aprendizado de Ciências, despertando a curiosidade e o pensamento crítico. Ensino de Astrobiologia: Desafios e Justificativas A inserção da Astrobiologia nas escolas no Ensino Fundamental II (disciplina de Ciências) e Ensino Médio (disciplina de Biologia), é justificada por seu imenso potencial motivador e contextualizador. Questões como "estamos sozinhos no Universo?" atrai naturalmente a atenção dos alunos, permitindo uma discussão de Ciência permeada por incertezas e, de momento, sem respostas. A Astrobiologia favorece a alfabetização científica e o desenvolvimento do pensamento crítico, pois integra diferentes escalas (de átomos e moléculas e ao Universo) e tempos profundos (da atualidade ao início do Universo), facilitando a compreensão de sistemas complexos e da interconexão entre a Terra e o espaço. Apesar de ser um campo em crescente evolução e importância, impulsionada por missões a Marte, luas geladas (de Júpiter e Saturno) e descobertas do telescópio James Webb, a Astrobiologia ainda possui pouca inserção curricular formal no Brasil. Os professores enfrentam diversos obstáculos para ensinar Astrobiologia, incluindo a falta de formação docente adequada para abordar um tema tão integrado, currículos fragmentados (onde a Biologia ignora a geologia planetária e a Astronomia ignora a química orgânica), visões distorcidas sobre vida extraterrestre (frequentemente associada a humanoides verdes) e a escassez de materiais AstroNova . N.50 . 2026 Europa, lua de Júpíter (esquerda) e Encélado, lua de Saturno (direita). Fonte: https://canaltech.com.br/espaco/europa-ou-encelado-qual-lua- tem-mais-chances-de-abrigar-vida-microbiana-118632/ 12 15

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didáticos de qualidade, acessíveis e de baixo custo. O impacto científico da Astrobiologia vai além da exploração espacial; ela contribui para o avanço do conhecimento em várias áreas e nos ajuda a entender nossa "identidade terrena", situando a vida na Terra em um contexto cósmico. Alinhamento com Documentos Curriculares A abordagem da Astrobiologia está prevista nos documentos curriculares brasileiros, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os Referenciais Curriculares Paranaenses. Na BNCC, a Astrobiologia alinha-se às Competências Gerais 1, 3, 4 e 7, na área de Ciências da Natureza, no eixo "Terra e Universo". No 9º Ano do Ensino Fundamental, a habilidade EF09CI16 propõe selecionar AstroNova . N.50 . 2026 Ambientes extremos na terra. Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/07/ciencia-e-espaco/o-que-sao- animais-extremofilos-e-como-eles-desafiam-os-limites-da-vida/ Telescópio Espacial James Webb. Fonte: https://clickpetroleoegas.com.br/james-webb-opera-longe-da-terra- flpc96/ 12 16

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17 argumentos sobre a viabilidade da sobrevivência humana fora da Terra, com base nas condições necessárias à vida e nas características dos planetas. Do 6º ao 9º anos, outras habilidades focam na composição do Sistema Solar (EF09CI14) e na evolução das estrelas, fornecendo a base física para entender onde a vida poderia surgir. No Ensino Médio, a Astrobiologia está prevista na Competência Específica 2, que trata da análise de modelos e teorias sobre a dinâmica da Vida, da Terra e do Cosmos. Relacionados a esse competência, temos as habilidades EM13CNT201 (Analisar e discutir teorias sobre o surgimento e a evolução da Vida, da Terra e do Universo) e EM13CNT202 (Analisar as diversas formas de manifestação da vida e as condições ambientais favoráveis ou limitantes a elas). Nos Referenciais Curriculares Paranaenses, na disciplina de Biologia (Ensino Médio), a Astrobiologia se insere na Unidade Temática III: Origem e evolução da Vida, abordando teorias e modelos sobre a origem da vida e a vida primitiva (Habilidades EM13CNT201 e EM13CNT209) e ideias evolucionistas (Habilidade EM12CNT201). Para a disciplina de Ciências (Ensino Fundamental II) não há menções explícitas sobre Astrobiologia, contudo, a temática acaba sendo contemplada por tópicos interdisciplinares que estão relacionados com a área, como por exemplo: 1.Unidade Temática - Terra e Universo (9º Ano): Vida Humana fora da Terra/Condições de vida no Universo e Evolução Estelar. 2.Unidade Temática - Vida e Evolução (7º e 9º Ano): Origem da Vida e Teorias Evolutivas (9º Ano) e Diversidade de Seres Vivos e Adaptações (7º Ano). Considerações finais O ensino da Astrobiologia nas escolas justifica-se por sua capacidade única de integrar diversas áreas do conhecimento em torno de questões fundamentais que despertam uma curiosidade natural dos estudantes. Ao contrário do ensino tradicional de Ciências, que muitas vezes fragmenta o conhecimento em disciplinas isoladas, a Astrobiologia exige uma abordagem interdisciplinar, na qual a Biologia, a Química, a Física, a Geologia AstroNova . N.50 . 2026 Competências Gerais da BNCC. Fonte: https://www.researchgate.net/figure/Figura-1-As-10-competencias-gerais-da- BNCC-BRASIL-2018_fig1_374181076

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18 e a Filosofia convergem para explicar fenômenos complexos, como a origem da vida e a habitabilidade planetária. Essa integração pode permitir que os alunos desenvolvam uma visão sistêmica da Ciência, compreendendo que é de vital importância a colaboração entre diferentes campos de estudo. Além do benefício educacional, a Astrobiologia pode ajudar a desenvolver um pensamento crítico e científico. Ao investigar a vida em ambientes extremos ou analisar dados de missões espaciais, os alunos podem ser incentivados a formular hipóteses, interpretar evidências e lidar com a incerteza inerente à fronteira do conhecimento humano. Esse processo não apenas ajuda a preparar os alunos para carreiras nas áreas de Ciência e Tecnologia, mas também forma cidadãos mais aptos a discernir informações e a compreender a importância do investimento em pesquisa e inovação. A Astrobiologia atua transformando o fascínio pelo espaço em um engajamento ativo com o aprendizado. Por fim, vale a pena ensinar Astrobiologia devido ao profundo impacto ético e social que a disciplina pode promover ao estudar a fragilidade da biosfera terrestre em comparação com o ambiente hostil do espaço. Os alunos são levados a refletirem sobre a singularidade do nosso planeta e a urgência de sua preservação. Essa consciência ambiental, fundamentada em dados científicos e em uma visão ampliada do Universo, contribui para a formação de uma geração mais responsável e comprometida com a sustentabilidade. Ensinar Astrobiologia é, em última análise, educar para a humildade, para o deslumbramento diante da natureza e para o reconhecimento de que a vida, em todas as suas formas, é um fenômeno extraordinário que merece ser compreendido e protegido. Ricardo Francisco Pereira é professor do Departamento de Física da UEM. Graduado em Física, é mestre e doutor em Educação para a Ciência e Matemática. Mantém a página Recursos de Física. Para saber mais: (Livro) Astrobiologia: uma ciência emergente. Douglas Galante (org). São Paulo: Tiknet edição. IAG/USP, 2016. (Livro) Astrobiologia: uma ciência híbrida contemporânea. São Paulo: Livraria da Física, 2005. (Youtube) [LIVE] Minicurso de Astrobiologia - Sociedade Brasileira de Astrobiologia - https://www.youtube.com/watch ?v=Q-EifZqF32g (Youtube) Astrobiologia - O Estudo da Vida no Universo - https://www.youtube.com/watch ?v=8gGkMOmhnDw Pensamento crítico. Fonte: https://eseg.edu.br/blog/o-que-e-pensamento-critico/

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19 Wilson Guerra [email protected] Observe tudo que nos cerca: o solo, os minerais, os objetos que manipulamos; as páginas dos livros que estamos foleando, a tela do computador ou do smartphone. Pense na água que mata nossa sede, que corre nos rios, que enche oceanos e regularmente cai do céu na forma de chuva. Pense nos seres vivos, os animais silvestres ou domésticos. A própria humanidade, nossos amigos e até você mesmo! É incrível, mas tudo isso que está a nossa volta é composto de, no máximo, 92 elementos básicos. São os elementos químicos. O que diferencia o mineral dos seres vivos, o orgânico do inorgânico, o natural de um artefato feito por humanos são apenas as proporções e, principalmente, a forma em como esses elementos estão organizados entre si. No final do século XIX o estudioso e químico russo Dmitri Ivanovich Mendeleyev notou que grupos destes elementos tinham propriedades parecidas. Mais que isto, estas propriedades pareciam se repetir periodicamente. Mendeleyev então organizou os elementos químicos de acordo com esta periodicidade e deu origem assim à Tabela Periódica dos Elementos. Hoje se sabe que há mais de 92 elementos na tabela periódica, mas os últimos são criados A FABRICAÇÃO CÓSMICA DOS ELEMENTOS QUÍMICOS NUCLEOSSÍNTESE ESTELAR ASTROQUÍMICA NUCLEOSSÍNTESE ESTELAR A FABRICAÇÃO CÓSMICA DOS ELEMENTOS QUÍMICOS

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Figura 1: Tabela Periódica dos Elementos. Cada elemento é simbolizado com até duas letras de seu nome em Latim. O número superior é chamado de Número Atômico, e diz a quantidade de prótons que existe no núcleo do átomo deste elemento químico. É o número de prótons que diferencia um elemento do outro. artificialmente, não têm muita estabilidade e logo se transmutam em outros mais convencionais (figura 1). É curioso que até praticamente a metade do século XX, ou seja, há pouco mais de 50 anos, não se sabia a origem destes elementos químicos. Até então os cientistas apenas aceitavam suas existências, o que é bem razoável. Mas a Ciência não é um empreendimento intelectual estático. E em pouco tempo descobrimos que a resposta de onde os elementos químicos se originavam estava em todo o Universo. Átomo: a unidade química elementar A menor estrutura que a matéria se conforma, mantendo as propriedades químicas dos elementos é o átomo. A idéia de átomo vem de Grécia Clássica, mas foi abandonada por toda a Idade Média e só foi resgatada com o desenvolvimento da Ciência Moderna. Na matéria, os átomos por sua vez são agregados devidamente organizados de três partículas menores: os elétrons, mais externos, e os nêutrons e os prótons, coesos internamente no núcleo. Desde os experimentos de Rutherford no começo do século XX, é didático entender que a conformação destas partículas para a formação dos átomos é semelhante ao Sistema Solar (figura 2). Os elementos diferenciam-se quimicamente entre si pelo número de prótons que há nos núcleos de seus átomos. O elemento Hidrogênio (H) tem apenas 1 próton em seu núcleo (número atômico igual a 1, ou Z=1). O átomo do elemento Hélio (He) tem dois prótons no núcleo (Z=2). O elemento Lítio (Li) tem três prótons (Z=3). O elemento Carbono (C), essencial para a Vida como a conhecemos, tem Z=6. O Oxigênio (O) tem Z=8. O Neônio (Ne), gás nobre usado em painéis luminosos, tem Z=10. O Cálcio (Ca), presente em nossos ossos, tem Z=20. O Ferro (Fe), essencial no nosso sangue, tem Z=26. O Cobre (Cu), importante na composição de circuitos elétricos, tem Z=29. O cobiçado Ouro (Au) tem Z=79. O Urânio (U), usando nos reatores nucleares para produção de eletricidade, tem Z=92! Figura 2: um modelo didático de átomo. Os elétrons compõem a parte mais externa, girando na “elestrosfera”. Os elétrons têm carga elétrica negativa. O núcleo é composto de prótons e nêutrons. Os prótons têm carga elétrica positiva e o nêutrons não têm carga. elétron nêutron próton AstroNova . N.50 . 2026 20

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