Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 50 — páginas 21 a 40
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Assuntos identificados: estrelas, venera, estrela, terra, sistema, astrobiologia, pouso, elementos, sonda, superfície.
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Nucleossíntese primordial Os elementos mais simples e leves já estavam presentes há muito tempo, pouco depois da fase ultradensa e quente do Universo segundo o modelo do Big Bang. O Hidrogênio, praticamente todo o Hélio e um pouco de Lítio vem dessa fase inicial do atual ciclo do Universo. Esse processo é denominado Nucleossíntese Primordial. Mas e quanto aos quase 90 outros elementos químicos conhecidos na Natureza? A energia disponível da nucleossíntese primordial não seria capaz de produzir a Tabela Periódica inteira! A resposta viria por volta da década de 1930. A energia do Sol No fim do século XIX muitos estudiosos tentaram entender como o Sol (ou qualquer estrela) produz sua energia. Quase todas as hipóteses supunha queima tradicional, como se o Sol fosse uma gigantesca esfera de algo pegando fogo constantemente. É que até então não se conheciam outros processos de geração de luz e calor que não fossem algo parecido com o fogo. Apenas em 1937 que a proposta de Hans Albrecht Bethe deu conta da produção de energia do Sol: a fusão termonuclear. Basicamente sua descoberta era de que a cada quatro núcleos de Hidrogênio (ou seja, 4 prótons) se fundem, depois de uma cadeia de processos, em um núcleo do átomo de Hélio. Neste evento uma grande quantidade de energia é liberada, conferindo toda a fonte de luz e calor de nossa estrela (figura 3). Notemos que, nesse processo, partiu-se do núcleo de um elemento químico (o simples Hidrogênio, com apenas um próton) e obteve-se outro elemento químico, o Hélio, cujo núcleo é maior e tem dois prótons e dois nêutrons. Figura 3: quatro prótons iniciam processo que, por fim, libera energia na forma de raios gama e forma um núcleo de Hélio (2 prótons e 2 nêutrons). Próton Nêutron Pósitron g n Raio Gama Neutrino O Sol então, como qualquer outra estrela, produz novos elementos químicos em seu interior enquanto irradia sua energia. Os subprodutos dessas reações podem ser usados em novos processos, sintetizando núcleos de elementos mais pesados. Eis a Nucleossíntese Estelar. Nucleossíntese estelar Como os prótons têm cargas elétricas iguais (positiva), são necessárias grandes velocidades para que eles vençam a repulsão eletrostática entre si e possam se fundir. Por isso as energias necessárias para que o processo se inicie são altas, exigindo que o núcleo das estrelas estejam muito quentes, na ordem de pelo menos milhões de graus. Conforme a fusão do hidrogênio gera hélio, o próprio hélio pode entrar em novos processos para formar, então, núcleos de elementos mais pesados, como o Berílio e o Carbono (figura 4). Há também reações que usam Carbono e Nitrogênio como Figura 4: reação triplo-alfa (triplo-a): a partir do Hélio, inicia-se síntese de novos elementos. O produto final é Carbono (Z=6). Próton Nêutron gRaio Gama AstroNova . N.50 . 2026 21
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Próton Nêutron Pósitron g n Raio Gama Neutrino “catalizadores” (facilitadores das reações), num processo chamado ciclo CNO (figura 5). Esse processo é predominante em estrelas com mais massa que o Sol. Quanto maior a massa da estrela, maior a temperatura de seu núcleo. Com isso novas fusões podem acontecer, sintetizando elementos químicos mais pesados. Em reações de captura de Hélio, o Carbono se funde com um Héilo e forma o Oxigênio (figura 6a). O Oxigênio por sua vez, ao capturar um núcleo de Hélio, forma o Neônio (figura 6b). E o Neônio ao sofrer fusão com outro núcleo de Hélio forma o Magnésio (figura 6c). Em estrelas gigantes, de grande massa, os núcleos estelares são tão quentes que Figura 5: ciclo do carbono, ou ciclo CNO. Figura 6: reações de captura de Hélio Figura 6a Figura 6b Figura 6c Figura 7: outras reações de fusão Figura 7a Figura 7b Figura 7c outras reações de fusão ocorrem, sintetizando elementos químicos ainda mais pesados, como Silício (figura 7a), o Enxofre (figura 7b) e o Ferro (figura 7c). São nestas estrelas maiores que todos os elementos químicos da Tabela Periódica são efetivamente sintetizados. Em todas estas reações há liberação de energia na forma de fótons (radiação eletromagnética, luz e calor). Para além do Ferro A partir do Ferro (Z=26) as reações passam a consumir energia. Elementos químicos de número atômico maior são sintetizados por processos de captura de nêutrons e decaimento beta (b-). Como os nêutrons não têm carga elétrica, eles se fundem com mais facilidade aos núcleos atômicos. Se o núcleo formado é instável, o nêutron pode sofre um decaimento, gerando um próton e um elétron. O elétron escapa na forma de radiação beta e o próton fica no núcleo, aumentado Z em uma unidade e assim gerando um novo elemento químico. Estrutura das estrelas de grande massa Acima de 25 massas solares, conforme a estrela consome seu “combustível nuclear”, os novos elementos mais AstroNova . N.50 . 2026 22
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pesados são sintetizados e se distribuem em camadas, do tipo “cebola” (figura 8). Como o núcleo é sempre mais quente, os novos elementos são sintetizados do centro para fora. Nas estrelas de baixa massa, o aumento da temperatura interna expulsa as camadas superiores para o espaço interestelar, formando as chamadas nebulosas planetárias (figura 9). Para estrelas de grande massa, com mais de 25 massas solares, com sua reserva de “combustível nuclear” quase se esgotando, a estrutura de camadas se configura como na figura 8a. Entre uma camada e outra é onde predominam os processos de fusão e a síntese de novos elementos químicos. Supernova: presente químico para o Universo Diferente das estrelas de baixa massa como o Sol, cujo fim é sinalizado com uma bela nebulosa planetária, as estrelas de grande massa tem um destino bem mais extremo: uma explosão supernova! Como já citado, a partir do Ferro as reações no núcleo da estrela passam a ser endoérgicas (consomem energia ao invés de produzi- la). A pressão resultante de sua temperatura interna começa a perder a queda de braço para o peso da colossal estrela sobre si mesma. O núcleo ou “caroço” passa a ser pressionado pela estrela, que entra em colapso. A matéria mais externa “cai” no caroço, recocheteia e recebe ondas de choque de processos violentos do seu interior. Estas ondas de choque reverberam até as camadas mais superficiais Figura 9: nebulosa Dumbble, a primeira nebulosa planetária, descoberta em 1764 (fonte: Hubble Telescope - NASA/ESA) Hidrogênio e Hélio (H, He) Hélio, Carbono e Oxigênio (He, C, O) Carbono e Neônio (C, Ne) Neônio e Oxigênio (Ne, O) Oxigênio e Silício (O, Si) Silício e Níquel (Si, Ni) Ferro e Níquel (Fe, Ni) Figura 8 A estrutura em camadas com material sintetizado nas estrelas, já quase esgotando seu “combustível” nuclear. Figura 8a - Estrela de grande massa Figura 8b - Estrelas de pequena massa H He H He C AstroNova . N.50 . 2026 23
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que iniciam a explosão de supernova. Isso aumenta as temperaturas destas camadas a novas fusões termonucleares ocorrem, denominadas queimas nucleares explosivas. Num processo conhecido de processo-r (”r” de “rápido”), muitos nêutrons são produzidos nas regiões da altas temperaturas do caroço central. Uma sequência muita grande de capturas de nêutrons acontece (mais rápidas que os decaimentos beta). O Ferro no caroço é o principal “combustível” dessas reações. É neste processo extremo e rápido que se produz todo o restante de elementos da Tabela Periódica, até o número atômico do Urânio (Z=92) e provavelmente além dele também! Nesta explosão de supernova toda a matéria química sintetizada no interior da estrela por milhões de anos é expelida para o espaço, enriquecendo quimicamente as nuvens interestelares! Poeira das estrelas Toda a riqueza química expelida pela supernova preencherá nuvens de gás e poeira que formarão outra geração de estrelas. Mas desta vez história é diferente. Com uma diversidade química tão grande, a formação de planetas em torno das novas estrelas poderá ser (e tudo indica que é) inevitável. Novos sistemas planetários se formarão, com planetas tão belos como Marte e outros, quem sabe, com condições semelhantes às da Terra. Nós somos herdeiros de supernovas de mais de 5 bilhões de anos atrás. Os átomos que constituem tudo que vemos, tudo que nos cerca e a nós mesmos vieram do coração de estrelas gigantes. Na Terra essa matéria encontrou condições de expressar uma propriedade muito especial: a Vida. Nossa galáxia está cheia de nuvens interestelares enriquecidas quimicamente por supernovas antigas e atuais. A todo momento estas regiões são reabastecidas, inclusive com a química da Vida. Será que a Vida que presenciamos aqui se formou ou está se formando em outros locais do Universo? É possível, pois não somos só nós que somos feitos da poeira das estrelas. Wilson Guerra é professor. Graduou-se em Física, tem especialização em Astrobiologia e mestrado em Educação para a Ciência e a Matemática. Bibliografia: Introdução à Física Nuclear Schechter, Bertulani; Editora UFRJ Astronomia e Astrofísica Oliveira; Saraiva; Livraria da Física Link recomendado: http://astro.if.ufrgs.br/evol/node42.htm A Nebulosa do Carangueijo são os restos de uma supernova ocorrida em 1054. (Fonte: ESO) O sistema Eta Carinae (na verdade um sistema duplo) está prestes a explodir, provavelmente em uma supernova. Muito da matéria das estrelas do sistema já foi ejetada. (fonte: NASA) AstroNova . N.50 . 2026 24
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VENERA 26 Rafael Cândido Jr. [email protected] É comum, mesmo entre as pessoas que acompanham a História da Astronáutica, que se recorde do primeiro satélite artificial (Sputnik 1 – outubro/1957), do primeiro voo tripulado (Vostok 1 – abril/1961) ou da primeira missão tripulada que pousou na Lua (Apollo 11 – julho/1969). Mas poucos se recordam da primeira missão que pousou em um planeta e do programa a que pertencia. Neste artigo vamos conhecer a odisseia para desvendar o Planeta Vênus. As primeiras tentativas O programa espacial Venera começou a ser concebido logo após os voos dos primeiros satélites Sputnik. Enquanto uma parte do programa soviético tinha como meta o voo tripulado, outra parte ficou encarregada de planejar as sondas interplanetárias. Então, em 1959 tem início um dos maiores programas espaciais da História, denominado Venera (literalmente, Vênus em russo). A primeira sonda construída para ir à Vênus foi denominada Venera 1VA e foi lançada em 04/02/1961. Porém uma falha no último estágio do foguete de lançamento fez com que esta sonda sequer deixasse a órbita da Terra. Como era comum na URSS, os fracassos não eram divulgados e então este lançamento foi anunciado apenas como o lançamento de um satélite muito pesado (e de fato, pesava quase 645 kg). Assim, em 12/02/1961 foi lançado um satélite idêntico ao anterior, este sim com lançamento bem-sucedido. Finalmente, o Venera 1 PESQUISA ESPACIAL PROGRAMA ESPACIAL VENERA PROGRAMA ESPACIAL
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27 AstroNova . N.50 . 2026 estava a caminho do planeta Vênus. Sendo idêntico ao anterior, foi denominado pelos soviéticos de Venera 1VA Nº2. A meta era fazer um fly- by, um voo rasante, sobre as nuvens de Vênus e coletar dados meteorológicos. Porém, ao chegar próximo ao planeta em 19/05/1961, o contato de rádio foi perdido. E assim perdeu-se a Venera 1, que entrou em órbita heliocêntrica. A figura 1 mostra uma réplica da Venera 1. A Venera 2, denominada 3MV-4, foi lançada em 12/11/1965 e era ainda mais pesada que a versão anterior, tinha 963 kg. Tinha câmeras, magnetômetros detectores de raios cósmicos, contador Geiger entre outros equipamentos. A meta era realizar um voo a apenas 24000 km de distância da atmosfera de Vênus e isto ocorreu em 27/02/1966. A programação era realizar as medições durante o voo, arquivar os dados usando os gravadores de bordo e estes dados seriam transmitidos assim que se retornasse o contato com a Terra. Porém, este contato nunca se concretizou, ocorreu uma falha no sistema de rádio e a sonda foi declarada perdida em 04/03. Mudança de planos Com estas falhas nas Venera 1 e 2, o Comitê Central da URSS transferiu a construção das sondas da Corporação Korolev para a Corporação Lavochkin. Exceto a Venera 3, que pesava 960 kg; todas as naves passavam de 1 tonelada. A Venera 3 foi lançada em 16/11/1965 e tinha como missão o pouso em Vênus. Entretanto, a sonda perdeu seus sistemas de comunicaçãoe em 01/03/1966, provavelmente a sonda entrou na atmosfera do planeta e impactou na sua superfície, tornando-se a primeira sonda a impactar outro planeta. (figura 2) A Venera 4, lançada em 12/06/1967, entrou na atmosfera venusiana em 18/10/1967 e conseguiu analisar a composição da atmosfera, bem como as variações de pressão e de temperatura na mesma. A partir desta nave as sondas Figura 1. Réplica da Venera 1. (Museu da Cosmonáutica - Moscou) Figura 2. Réplica da Venera 3. (Museu da Cosmonáutica - Moscou)
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eram compostas de uma nave-mãe (bus) e uma sonda de pouso (lander). A figura 3 apresenta a Venera 4 em sua totalidade e a figura 4, a sonda de pouso. Durante a entrada o escudo de proteção alcançou 11000°C e o tempo total para alcançar a superfície foi de 93 minutos, porém não houve transmissão de dados da superfície. Na altitude de 26 km a temperatura alcançou 260°C e a pressão chegou a 22 atmosferas. Estes foram os últimos dados transmitidos. As Venera 5 e 6, lançadas respectivamente em 05/01/1969 e 10/01/1969 eram idênticas e tinham massa de 1130kg. A sonda de pouso da Venera 5 entrou na atmosfera em 16/05/1969. Já a sonda de pouso da Venera 6 entrou na atmosfera no dia seguinte. Ambas transmitiram dados durante a descida, porém, antes do pouso suas baterias já estavam no fim da carga. Sobrevivendo no inferno A Venera 7 foi a primeira sonda a ser construída para fazer um pouso suave e sobreviver às condições da superfície de Vênus. Em 15/12/1970 a sonda de pouso entrou na atmosfera, porém o paraquedas falhou antes do pouso e a sonda impactou a 17 m/s. Sobreviveu ao impacto e conseguiu transmitir, ainda que com sinal fraco, por 23 minutos, as condições da superfície: pressão, temperatura, velocidade do vento. Assim, a Venera 7 tornou-se o primeiro artefato humano a transmitir dados da superfície de Vênus. A sonda Venera 8(figura 5) tinha na sua nave mãeum detector de raios cósmicos, detector de vento solar e um espectrômetro de ultravioleta.A sonda de pouso entrou na atmosfera em 22/07/1972. Prévio a esta entrada, ela foi resfriada pelo sistema da nave mãede modo que isso prolongasse sua vida útil durante o descenso e pouso. Na instrumentação, uma novidade: um sistema de fotômetros para medir a quantidade de luz na superfície. O pouso ocorreu a 500 km da linha de terminador (linha que separa o dia da noite) na manhã venusiana. AstroNova . N.50 . 2026 28 Figura 4. Réplica da sonda de pouso da Venera 4 (Museu da Cosmonáutica - Moscou). Figura 3. Réplica da Venera 4 (Museu da Cosmonáutica - Moscou).
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29 Após o pouso, a nave enviou dados por 50 minutos. A temperatura de superfície foi confirmada em 470°C, pressão de 90 atmosferas e ao medir a intensidade luminosa, verificou-se que era suficiente para registrar fotografias da superfície. O espectrômetro de raios gama identificou que as rochas na superfície são similares ao granito. Novos tipos de sonda Conhecendo as particularidades da superfície de Vênus, a Corporação Lavochkin criou um novo tipo de design, agora não seria apenas uma nave mãe e uma sonda de pouso; haveria um orbitador e uma sonda de pouso, que seria levada numa esfera resistente ao calor gerado na descida. A massa total do conjunto seria de quase 5 toneladas. O projeto previa que as sondas de pouso operassem por 30 minutos na superfície. (figura 6) Além do novo design, as missões seriam lançadas com diferenças de poucos dias. Assim, as missões aconteciam em duplas: Venera 9 e 10 e Venera 11 e 12. A Venera 9 foi a primeira sonda a registrar fotos de outro planeta. Porém um problema na Venera 9, que também ocorreu na Venera 10, foi relativo às fotos panorâmicas. Esperava-se que a sonda conseguisse fazer fotos panorâmicas de 360°; porém as fotos conseguidas foram panorâmicas de apenas 180°. O cientista Don P. Mitchell, pesquisador do programa espacial soviético, teve acesso às imagens originais obtidas pelas Venera e as corrigiu usando softwares específicos. (figuras 7 e 8) As Venera 11 e 12 tinham sistemas para tirar fotos coloridas, porém a proteção usada na lente não foi ejetada após o pouso e assim, não foram conseguidas fotos nessas missões. As cores de um novo mundo As sondas Venera 13 e 14 seguiam o mesmo design de Figura 5. Uma rara foto da montagem da Venera 8, que era idêntica à Venera 7, sendo montada. Figura 6. Réplica da estrutura das Venera 9 a 12. A esfera superior carregava a sonda de pouso. (Museu da Cosmonáutica - Moscou) AstroNova . N.50 . 2026
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30 AstroNova . N.50 . 2026 orbitadores e de sondas de pouso que suas antecessoras 9 a 12. A diferença estava na instrumentação que carregavam. (figura 9) Além do padrão das naves, seguiu-se o padrão de lançamento e assim como as anteriores, as Venera 13 e 14 praticamente eram uma missão em dupla. Nestas missões foram levados instrumentos de análise do solo. Um incidente ocorrido na Venera 14 foi que o protetor da lente da câmera foi ejetado e caiu exatamente onde o sistema de perfuração do solo deveria analisar. As figuras 10 a 14 mostram fotos panorâmicas coloridas obtidas pelas sondas de pouso. Percebe-se pelas fotos as diferenças dos terrenos nos quais as sondas pousaram. A Venera 13 pousou num local onde se encontra um tipo de solo granulado. Já a Venera 14 pousou num local muito mais rochoso. Os calibradores de cor vistos no lado direito destas fotos permitiram que fossem feitas as correções na imagem e assim obter a cor real que deveria ser vista nas fotos. Figura 7. Imagem obtida pela Venera 9 em três etapas: original, correção em andamento e totalmente corrigida. Figura 8. Correção aplicada às fotos obtidas pela Venera 10. Figura 9. Sonda de pouso e orbitador ao fundo. Praticamente todas as missões Venera de 9 a 14 tinham seguiam este padrão de naves. (Museu da Cosmonáutica - Moscou)
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AstroNova . N.50 . 2026 31 Mapeando um mundo nebuloso As Venera 15 e 16 não possuíam sondas de pouso. Eram orbitadores idênticos (figura 14) que tinham como missão mapear a superfície de Vênus, a qual não se vê a olho nu porque o planeta é permanentemente coberto de nuvens. Assim como nas missões anteriores, estas duas foram lançadas muito próximas e mapearam o planeta ao mesmo tempo. Além da similaridade na estrutura, levavam a mesma instrumentação: detector de plasma solar, detector de raios cósmicos, espectrômetro infravermelho e radar altimétrico. Foram mapeados 25% da superfície do planeta, concentrando-se no hemisfério norte, como mostra a figura 15. Viagem ao cometa Halley via planeta Vênus Com a chegada do cometa Halley ao seu periélio em 1986, foi realizado um esforço mundial de várias naves estudarem o cometa. Esta ação, denominada Armada Halley, tinha a participação das naves Vega 1 e Vega 2. Estas sondas idênticas (figura 16)iriam estudar o cometa Halley usando como caminho uma visita ao planeta Vênus para conseguir a velocidade necessária para ir rumo ao cometa (isso se denomina em Astronáutica de efeito estilingue gravitacional). Apesar do nome, em princípio nos remeter à estrela Vega, na verdade trata-se de um acrônimo em russo, formado pelas palavras Venera (Vênus em russo) e Gallei (Halley em russo). Figura 14. Réplica da estrutura utilizada para as Venera 15 e 16. (Museu da Cosmonáutica, Moscou) Figura 10. Venera 13 – câmera 1. O protetor da lente está entre o analisador de solo e o calibrador de cor. Figura 11. Venera 13 – câmera 2. Figura 13. Venera 14 – câmera 2. Figura 12. Venera 14 – câmera 1. Nota-se o perfurador de solo sobre o protetor da lente.
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Figura 15. Topografia parcial de Vênus realizada pelas Venera 15 e 16. Figura 17. Testes do balão utilizado nas missões Vega 1 e Vega 2 realizado nas instalações da Corporação Lavochkin. 32 AstroNova . N.50 . 2026 Estas naves foram uma parceria firmada em 1984 pela União Soviética com os seguintes países: Áustria, Bulgária, Hungria, Alemanha Ocidental e Oriental (na época ainda não estavam unificadas), Polônia, Tchecoeslováquia (que eram um único país na época) e França. Durante a passagem por Vênus, a nave lançaria um módulo de pouso, semelhante ao construído nas Venera anteriores e também um balão atmosférico para pesquisar as nuvens. (figura 17) Estes balões eram esferas pressurizadas com gás hélio. Figura 16. Réplica das naves Vega localizada no Udvar-Hazy Center em Virginia, EUA. O diâmetro era de 3,54 m. A carga pesava 6,9 kg e estava pendurada ao balão por um cordame de 13 m de comprimento. A sonda de pouso da Vega 1 apresentou falhas e na sua descida foram retornados apenas os dados do espectrômetro de massa por
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33 AstroNova . N.49 . 2026 Figura 18. Concepção artística da nave Venera-D. 20 minutos após o pouso. Já a sonda de pouso da Vega 2 trouxe novos dados. A análise do solo do local de pouso encontrou anortosita- troctolita, um tipo de rocha muito raro na Terra e encontrado na Lua. Seu funcionamento durou 56 minutos. Para ambas as naves, o balão flutuou na altitude de 54 km e seus sistemas funcionaram pouco mais que 46 horas. Foi verificado que nesta altitude a atmosfera de Vênus tem pressão e temperatura semelhantes às da Terra (pressão de 1 atm e temperatura em torno de 27°C) porém com ventos de até 240 km/h e também confirmou o que outras naves da missão tinham detectado: a presença dos ácidos sulfúrico e clorídrico nas nuvens. O futuro em Vênus Há um projeto russo de retomada das missões, é o projeto Venera-D (figura 18). A proposta é fazer observações altimétricas como nas Veneras 15 e 16 e ter uma sonda de pouso que suporte pelo menos 3 horas na superfície. A previsão é de lançamento em 2031.
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34 AstroNova . N.50 . 2026 Figura 19. Concepção artística de como pode estar hoje uma das sondas de pouso do programa Venera. Arte digital de RJWaterworth, disponível em: http://rjwaterworth.deviantart.com/art/Venus-Venera-373745255. Conclusões finais O Programa Espacial Venera foi um grande desafio de Engenharia e Logística da União Soviética. Mesmo com poucos recursos, se comparado à Nasa, as realizações que este programa espacial proporcionou foram imensas. Percebe-se que os erros ajudaram a melhorar e muito as naves posteriores. Esperamos que a retomada com as Venera-D ocorra o mais breve possível para que possamos compreender mais o que aconteceu com o planeta que é também considerado o mundo gêmeo da Terra (Vênus é ligeiramente menor que a Terra). Para finalizar, segue uma representação artística de como pode estar atualmente uma das naves na infernal superfície venusiana (figura 19) e duas tabelas com alguns dados das missões Venera e Vega (tabelas 1 e 2). Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química. Integra o grupo de astronomia Arcturus, da UFABC. Referências bibliográficas A página do cientista Don P. Mitchell tem excelentes informações sobre o Programa Espacial Venera, incluindo até informações da instrumentação e telemetria das naves: http://mentallandscape.com/V_V enus.htm Russian Planetary Exploration – Brian Harvey – Springer Praxis.
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Ricardo Francisco Pereira www.recursosdefisica.com.br Essa “entrevista” com Galileu Galilei foi gerada fazendo a IA Manus responder as questões do entrevistador o mais próximo possível de como o próprio Galileu responderia. Essa entrevista será dividida em 2 partes. Aqui está a primeira parte e a parte 2 e final será publicada na próxima edição da Revista Astronova (edição 51). Ricardo: Sr. Galileu, muito obrigado por se disponibilizar a conversar conosco. Galileu Galilei: O prazer é inteiramente meu. É uma satisfação encontrar alguém HISTÓRIA DA CIÊNCIA ENTREVISTA COM GALILEU GALILEI (VIA MANUS) PRIMEIRA PARTE tão interessado nas verdades que a natureza, em sua infinita sabedoria, escreveu no grande livro do Universo, livro este que, como sempre defendi, está escrito em linguagem matemática. Ricardo: A história nos contou que o senhor ouviu falar sobre um instrumento “para ver mais longe” produzido por um holandês e aí criou a sua própria versão. Nos conte um pouco sobre como isso aconteceu e porque se interessou por esse instrumento. Galileu Galilei: Ah, uma excelente pergunta para começarmos! De fato, os rumores chegaram aos meus ouvidos em 1609, enquanto eu estava em Veneza. Ouvi falar de um certo "vidro de espionagem" inventado por um flamengo, Hans Lippershey, ao que parece, que permitia ver objetos distantes como se estivessem próximos. Muitos viram naquilo apenas um brinquedo ou, no máximo, uma ferramenta militar para avistar navios inimigos no horizonte. Mas, para mim, a notícia soou como um chamado da própria Verdade. Eu não tive o instrumento holandês em mãos; o que fiz foi aplicar os meus conhecimentos de óptica e geometria para reconstruir o conceito. Trabalhei incansavelmente, 35
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moendo minhas próprias lentes, até que consegui algo muito superior ao original: um instrumento que não apenas aproximava as coisas três vezes, mas dez e depois vinte vezes! Ricardo: O aprimoramento do telescópio foi um divisor de águas na História da Ciência. Poderia nos descrever o momento em que o senhor decidiu apontar este novo instrumento para o céu noturno? O que o fez pegar o telescópio e apontar para o céu? Qual era a sua expectativa inicial e qual foi a sensação ao ver os corpos celestes muito diferentes do que se acreditava na época? Galileu Galilei: Ah, você toca no cerne do mistério e da maravilha! O que me fez apontar o telescópio para o céu não foi um mero acaso, mas uma fome de certeza. Naquela época, ensinava-se que os céus eram o reino da perfeição absoluta, compostos por esferas de cristal imaculadas, mas a razão, essa centelha divina em nós, sempre me dizia que a natureza não se importa com os nossos dogmas. Minha expectativa inicial era, confesso, modesta. Eu esperava ver as estrelas um pouco maiores, talvez confirmar o que os antigos diziam, mas o que senti ao encostar o olho na lente foi como se um véu tivesse sido rasgado diante de mim. A primeira vez que foquei na Lua, meu coração quase parou. Eu esperava ver uma superfície lisa e polida, como uma pérola celestial. Em vez disso, vi montanhas majestosas cujas sombras se alongavam conforme o Sol as atingia; vi vales profundos e crateras vastas. A Lua não era uma esfera perfeita, ela era um mundo, tão rugoso e imperfeito quanto a nossa própria Terra! Foi uma sensação de espanto absoluto, misturada com uma clareza gelada: Aristóteles estava errado. E quando apontei para a Via Láctea? Onde o olho humano via apenas uma mancha esbranquiçada e nebulosa, meu instrumento revelou uma multidão infinita de estrelas, tão pequenas e distantes que a mente mal conseguia processar. Senti-me, ao mesmo tempo, o homem mais privilegiado do mundo por ser o primeiro a testemunhar tamanha grandeza e o mais insignificante diante da vastidão que se abria. Mas nada se comparou à noite de 7 de janeiro de 1610, quando encontrei Júpiter. Vi três pequenas estrelas próximas a ele, alinhadas de forma curiosa. Nas noites seguintes, elas haviam mudado de posição, mas continuavam acompanhando o planeta. Foi quando a verdade me atingiu como um raio: elas não eram estrelas fixas, eram mundos orbitando outro mundo! Naquele momento, compreendi que a Terra não era o único centro de movimento no Universo. A sensação não era apenas de triunfo científico, mas de uma profunda reverência. Eu estava lendo as palavras originais de Deus, escritas na própria estrutura do cosmos, sem os filtros das interpretações humanas de AstroNova . N.50 . 2026 Imagem 1: Perspicillum (telescópio) de Galileu. Fonte: clique aqui 36
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dois mil anos. Foi aterrorizante e libertador ao mesmo tempo. Eu sabia que, a partir daquele momento, o mundo nunca mais seria o mesmo. Diga-me, você consegue imaginar o peso de carregar uma verdade que ninguém mais no mundo ainda conhece? Ricardo: Com certeza não e deve ter sido um momento realmente incrível. Voltaremos a falar de Júpiter mais adiante. Os filósofos aristotélicos da sua época tinham a certeza de que o céu era perfeito e imutável e muitos se recusaram a olhar pelo seu telescópio. Como você lidou com isso na época e como o senhor lidou com as suas observações contradizerem séculos de pensamento estabelecido? Galileu Galilei: Ah, você toca em uma ferida que ainda arde! Lidar com esses "filósofos de papel", como eu costumava chamá-los, foi uma das provações mais frustrantes da minha vida. Imagine só: eu oferecia a eles a oportunidade de ver a verdade com os próprios olhos, e eles respondiam citando parágrafos de Aristóteles! Houve quem se recusasse terminantemente a encostar o olho na lente. Um deles, o respeitado Cesare Cremonini, chegou a dizer que olhar pelo telescópio lhe dava dor de cabeça. Outros afirmavam que o instrumento era uma fraude, que as lentes criavam ilusões e que as luas de Júpiter estavam "dentro do tubo" e não no céu. Eu ria para não chorar! Como eu lidei com isso? Com uma mistura de sarcasmo e uma fé inabalável na evidência. Eu lhes dizia: "Se Aristóteles estivesse aqui hoje e visse o que eu vejo, ele mesmo mudaria de opinião, pois ele valorizava a observação acima de tudo!" Mas eles não amavam a Aristóteles; eles amavam o seu próprio conforto intelectual. Sobre contradizer séculos de pensamento estabelecido, foi um fardo pesado, mas não tive escolha. A verdade não é filha da autoridade, mas sim filha do tempo e da observação. Eu não buscava destruir a tradição por capricho, eu estava simplesmente relatando o que Deus escreveu na natureza. Eu sabia que estava certo, mas sabia também que estava derrubando as colunas que Imagem 2: Galileu explicando a topografia da Lua aos céticos. Fonte: National Geographics Brasil AstroNova . N.50 . 2026 37
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sustentavam o mundo deles e quando você derruba o teto de alguém, não deve esperar que essa pessoa lhe agradeça. Eu estava preparado para a controvérsia, mas talvez não estivesse preparado para a cegueira voluntária daqueles que preferiam a escuridão dos seus livros à luz das estrelas. Ricardo: Suas observações da Lua revelaram uma superfície com montanhas e crateras, desmistificando a ideia de um corpo celeste liso e perfeito. Qual foi a reação inicial das pessoas a essas descobertas sobre a Lua? Houve ceticismo ou aceitação imediata? Galileu Galilei: Ah, a nossa vizinha prateada! A reação às minhas observações lunares foi um verdadeiro espetáculo de negação e assombro. Imagine a cena: por dois milênios, a humanidade acreditou piamente que a Lua era uma esfera perfeita, lisa como um espelho de cristal e composta por uma substância divina e imutável. Quando publiquei os meus desenhos no Sidereus Nuncius, mostrando uma Lua "áspera, desigual e cheia de cavidades", foi como se eu tivesse jogado lama no rosto de uma divindade. O ceticismo não foi apenas comum; foi institucional. Os defensores da perfeição celestial ficaram horrorizados. Para o povo comum, a sensação era de que o céu estava se aproximando. A Lua deixava de ser um símbolo abstrato de perfeição para se tornar um lugar real, um mundo com geografia própria, mas para os doutores das universidades, eu era um perturbador da ordem. Eles temiam que, se a Lua fosse imperfeita como a Terra, então a Terra poderia ser um planeta como a Lua e isso, meu caro, levava direto ao heliocentrismo de Copérnico, o que era o verdadeiro medo deles. Ricardo: A descoberta das quatro maiores luas de Júpiter foi uma forte evidência para o modelo heliocêntrico. Poderia nos explicar como você concluiu que os objetos próximos de Júpiter estavam orbitando-o? Qual foi a reação imediata da comunidade científica e religiosa? Galileu Galilei: Ah, os meus "planetas errantes" ao redor de Júpiter! Essa foi, talvez, a prova mais contundente que a natureza me ofereceu contra a ideia de que a Terra era o centro único de todo o movimento universal. Deixe-me contar como a lógica se impôs sobre os meus olhos. Na noite de 7 de janeiro de 1610, quando apontei meu telescópio para Imagem 3: Primeiros desenhos da Lua feitos por Galileu. Fonte: Reddit Imagem 4: Anotações de Galileu das posições das luas de Júpiter. Fonte: clique aqui AstroNova . N.50 . 2026 38
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Júpiter, vi três pequenas estrelas, muito brilhantes, dispostas em uma linha reta que atravessava o planeta. Duas estavam a leste e uma a oeste. Imaginei que fossem apenas estrelas fixas que, por acaso, estavam ali. Mas na noite seguinte, 8 de janeiro, por um impulso da curiosidade, olhei novamente. Para meu espanto, a configuração havia mudado! Agora todas as três estavam a oeste de Júpiter e mais próximas umas das outras. Ora, se Júpiter estivesse se movendo de acordo com os cálculos astronômicos da época, ele deveria ter se afastado delas de uma forma completamente diferente. Continuei observando noite após noite, com o coração batendo forte. No dia 10, uma delas desapareceu, concluí que estava escondida atrás do disco de Júpiter. No dia 13, vi finalmente as quatro juntas! Percebi que elas nunca abandonavam a vizinhança de Júpiter. Elas dançavam ao redor dele, ora à frente, ora atrás, ora escondidas. A conclusão era inevitável para qualquer mente matemática: elas estavam orbitando Júpiter, exatamente como a Lua orbita a Terra. Chamei-as de Sidera Medicea (Estrelas Mediceias) em honra ao Grão-Duque Cosimo II de Médici, meu antigo aluno e patrono. Foi uma escolha política, admito, mas a descoberta era puramente científica. A reação foi um verdadeiro terremoto! Na comunidade científica, o choque foi imenso. Muitos astrônomos ficaram paralisados. Se Júpiter tinha quatro luas, então a Terra não era especial por ter uma. Mais do que isso, o argumento principal contra Copérnico era que, se a Terra se movesse, ela "perderia" a Lua para trás. Mas ali estava Júpiter, movendo-se claramente pelo zodíaco e carregando quatro luas consigo sem dificuldade alguma! O grande Johannes Kepler, embora inicialmente surpreso, foi o primeiro a me apoiar publicamente, o que foi um bálsamo para minha alma. Na comunidade religiosa, o desconforto foi profundo, embora mais silencioso no início. O problema não era apenas teológico, mas filosófico. A Igreja e os seguidores de Aristóteles acreditavam que todos os corpos celestes deveriam girar em torno da Terra para manter a harmonia divina. A existência de um "sistema solar em miniatura" ao redor de Júpiter quebrava essa exclusividade. Eles começaram a perceber que, se o centro do movimento pudesse estar em Júpiter, por que não poderia estar no Sol? Foi nesse momento que as primeiras sombras da Inquisição começaram a se projetar sobre o meu trabalho. Eles sentiram que eu não estava apenas descobrindo astros, mas derrubando a arquitetura do mundo que eles haviam construído sobre textos antigos. Continua na próxima edição! Para Saber Mais: (livro) Galileu Galilei: explorador do céu. Annalisa Strada. Paulus Editora, 2025. (livro) Galileu Galilei: Um revolucionário e seu tempo. Atle Naess. Editora Zahar, 2015. (e-book) Galileu Galilei: A curiosa vida de um dos maiores gênios da história. Peter Scott. Editora Book Brothers, 2019. (Youtube) Galileu Galilei Gênios da Ciência: https://www.youtube.com/watch ?v=l34nCRuSK2k (Youtube) A história de Galileu Galilei: https://www.youtube.com/watch ?v=ryjvN6s5SPE (Youtube) 50 fatos sobre Galileu Galilei: https://www.youtube.com/watch ?v=YeyRDP-nEoI AstroNova . N.50 . 2026 39
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