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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 03 — páginas 21 a 40

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Assuntos identificados: astronomia, constelações, série, terra, rover, montagem, espacial, ciência, constelação, planeta.

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21 AstroNova . N.03 . 2014 EQ3-2 é uma evolução da montagem EQ3 e possui maior estabilidade e capacidade de carga. Pode ser motorizada nos eixos de ascenção reta e declinação. Este tipo de montagem permite acompanhamento do movimento aparente dos objetos através do controle de ajustes finos que a acompanham. Vantagens: A abertura permite ver além dos objetos comumente observados por iniciantes. O tubo é leve e todo o conjunto é portátil, podendo ser facilmente transportado. Aliada à luminosidade deste equipamento, as grandes ampliações que podem ser alcançadas por este equipamento tornam mais fácil a observação de estrelas duplas e caracteristicas peculiares de planetas, além de ser um instrumento ainda útil para observação de objetos de céu profundo. Permite uma grande gama de acessórios, é ideal para quem pretende fazer futuros upgrades. Permite o acoplamento de câmeras diretamente no telescópio. Os ajustes finos da montagem EQ3-2 permitem posicionar o telescópio de forma precisa, e sua estabilidade elimina os socos  e tremidas encontrados em montagens menores. A buscadora 6x30 é luminosa o suficiente para apontar os objetos mais fracos. Objetos observáveis: Domos, cordilheiras e outras características lunares com 3 km de diâmetro; Superfícies escuras em Marte, frequentemente em oposições menos favoráveis; redemoinhos, flâmulas e mais detalhes das nuvens de Júpiter com boa visão; Cinturões de nuvens muito fracos em Saturno; Muitos dos cometas fracos e asteróides mais brilhantes; Estrelas duplas separadas por um arco segundo em boas condições de visibilidade; Estrelas fracas até magnitude de 13; Alguns aglomerados estelares mostram muitos detalhes; Muitos dos detalhes internos das nebulosas e alguma estrutura visível em muitas galáxias, de um céu bastante escuro; Poréns: A montagem equatorial EQ3-2 pode parecer estranha em seus movimentos. É necessária a leitura cuidadosa de seu manual antes de montá-la e operá-la. Também requer certa experiência, pois é necessário alinhá-la antes de usar. A buscadora nem sempre está alinhada ào que se vê na ocular e, consequentemente, gera um trabalho extra de setup. É necessário alinhá-la em relação à ocular sempre que montá-lo, ou ao menos checar se o objeto no centro do retículo da buscadora é o mesmo mostrado no centro da ocular. Devido ao tamanho é necessário deixar o telescópio aclimatar antes de usá-lo. Não há segredos quanto a isto: basta deixá-lo repousando no local de observação por pelo menos meia hora. Evite tocar muito o tubo com as mãos(abraçá- lo) durante a observação, pois isto desaclimata o tubo. Indicação: recomendável para intermediários e iniciantes em astrofotografia. Os equipamentos apresentados cobrem uma grande extensão das necessidades básicas para quem inicia em astronomia. Porém, uma velha máxima ainda é válida: estude e pergunte. Astrônomo satisfeito é astrônomo bem informado.

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Wilson Guerra Superfície da Lua Maringá-PR/2012 ASTROFOTOGRAFIAASTROFOTOGRAFIA 22

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23 Michel Corci Batista profcorci@hotmail.com Concorda que de todos os astros luminosos observáveis, o Sol é o mais importante dentre eles, para nós? O nosso querido Sol é a estrela responsável por toda espécie de vida e manutenção dela em nosso planeta. Sem ele até o ar seria congelado. Conforme a Terra gira, o Sol ilumina diferentes regiões. As pessoas que vivem nessas áreas vêem o Sol nascendo na região leste, movendo-se pelo céu e pondo na região oeste. Mas cuidado! Esse é o que chamamos de movimento aparente do Sol. Na verdade não é o Sol que se move de leste para oeste como aparece em muitos livros, é a Terra que gira, proporcionando esse movimento aparente. A Terra se move constantemente em torno do Sol. O tempo que ela leva para completar uma volta (ou uma órbita) é de um ano. Essa órbita não é totalmente circular. Assim a Terra está um pouco mais perto do Sol em janeiro e um pouco mais afastada em julho. Mas isto não tem nada a ver com as estações do ano! Quando a Terra está na posição mais próxima do Sol dizemos que ela está no periélio e quando ela está na posição mais afastada do Sol dizemos que ela está no afélio. Mas professor, por que o Sol brilha? Como as outras estrelas, o Sol é uma enorme bola de gás brilhante, que se mantém unida pela gravidade. A enorme gravidade do núcleo do Sol comprime os átomos até que eles se fundam em átomos maiores. Isso libera uma

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NúcleoNúcleo Zona RadiativaZona Radiativa Zona ConvectivaZona Convectiva 24 AstroNova . N.03 . 2014 enorme quantidade de energia. Bem, parte dessa energia é usada para manter as condições de temperatura e pressão interna e parte é emitida na forma de radiação que escapa pela superfície iluminando e aquecendo os astros do espaço interplanetário. Para dar vazão a essa energia toda podemos dividir o interior do Sol em três estruturas: núcleo, zona radiativa e zona convectiva. Em relação à atmosfera, o Sol também pode ser dividido em camadas. A atmosfera da estrela Sol é dividida basicamente em três: fotosfera (parte visível a olho nu), cromosfera (pode ser vista observando-se o Sol com um filtro especial na luz vermelha conhecido como H-alfa) e coroa solar (visível durante os eclipses totais do Sol) representando a camada mais externa. A nossa estrela mais querida é uma estrela jovem, possui em média 4,5 bilhões de anos, está na metade de sua vida devido à grande quantidade de hidrogênio ainda disponível. O Sol é considerado uma estrela de quinta grandeza ou magnitude, de cor amarelada é a estrela mais próxima de nós. Apesar de ser a estrela mais próxima encontra-se a uma distância média de 150 milhões de quilômetros da Terra, distância ideal para sustentar a vida aqui. Devido a essa distância, sua luz demora o equivalente a 8 minutos e 20 segundos para chegar até a Terra. Sabe o que isso significa? Para entender melhor podemos usar a ilustração: se por algum motivo o Sol deixa-se de existir agora, só notaríamos sua falta daqui 8 minutos e 20 segundos. O Sol é uma esfera gasosa cuja temperatura na superfície é de aproximadamente 6000 graus Celsius e no núcleo atinge os 15 milhões de graus Celsius. Em relação à Terra, possui uma massa 333 mil vezes maior ocupando 99,8% de toda a massa do sistema inteiro que o acompanha, sendo o maior objeto de todo o Sistema Solar. COMO OLHAR PARA O SOL DE MANEIRA SEGURA? IMPORTANTE! Jamais olhe diretamente para o Sol. 1 - Pegue dois pedaços de cartolina branca e, utilizando uma caneta (ou compasso) faça um furo em um deles. 2 - Segure os dois pedaços de cartolina a uma distância de aproximadamente 20 cm um do outro. O que contém o furo deve estar apontado para o Sol. 3 - Aproxime e afaste os cartões de cartolina até que a imagem do Sol fique nítida no cartão sem o furo.

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25 OPINIÃO Hemerson Brandão brandao.hemerson@gmail.com Após um hiato de 30 anos, a série Cosmos está de volta à televisão. Exibida mundialmente entre março e junho de 2014, a nova versão do programa estreou fazendo barulho e sendo bem aceita pela crítica. Anunciada como a continuação da série inovadora de Carl Sagan, acredito que a nova jornada de Cosmos está no caminho certo. Intitulada "Uma Odisseia no espaço-tempo", a produção conta com a participação dos criadores da série original, Ann Druyan e Steve Soter. Traz CosmosCosmos A NOVA JORNADA DE A NOVA JORNADA DECosmosCosmos também novos nomes como Seth MacFarlane, Brannon Braga. A apresentação ficou por conta do astrofísico Neil deGrasse Tyson. O que chama mais atenção na série é um ritmo mais acelerado e riqueza em recursos audiovisuais. Viajando no tempo, entre o microcosmo e o macrocosmo, a edição entrelaçou gravações em locações ao redor do mundo, efeitos especiais e animações, para criar uma serie ágil e dinâmica. Uma série para captar uma nova geração de telespectadores, acostumados com a velocidade das informações na internet. A NOVA JORNADA DE A NOVA JORNADA DE A série reciclou recursos da antiga série, como a Nave da Imaginação, o Calendário Cósmico e a Árvore da vida.

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26 AstroNova . N.03 . 2014 A produção continua sendo um monumento àqueles que marcaram a história da ciência, servindo de pano de fundo para abordar temas científicos em diversas áreas. Assuntos como Big-Bang, origem e evolução da vida foram abordados ao longo dos 13 episódios. A série também usou e abusou de imaginação ao apresentar a possibilidade do Multiverso e como seria uma viagem além do horizonte de eventos de um buraco negro. Ela também faz uma crítica velada ao criacionismo, mostra preocupação quanto à questão do aquecimento global e também incluiu mistérios científicos modernos como a matéria e energia escura. Tudo muito didático, ilustrado e compreensível para o grande público. Neil deGrasse me pareceu mais contido do que normalmente vemos em suas aparições na televisão. Talvez a direção optou em manter a forma paternalista que Carl Sagan falava sobre a ciência, não deixando muito espaço para originalidade de Neil. O texto manteve-se bem alinhado à didática e ao ideal romântico pela ciência de Sagan. No entanto, tal heroísmo científico as vezes foi retratado de forma exagerada. Criticado por muitos, os desenhos animados, na minha opinião, foram uma grande adição ao programa. Os traços são bonitos e dão maior liberdade criativa para retratar a história da ciência. Além disso, é um convite para que o público mais jovem se interesse pela ciência. A série reciclou recursos da antiga série, como a Nave da Imaginação, o Calendário Cósmico e a Árvore da vida. Até mesmo alguns gráficos foram utilizados da série original, como a animação da evolução da vida. Também criou novos recursos, como o Salão da Extinção, expondo grandes extinções do passado terrestre. A Nave da Imaginação faz barulho no espaço. A nave de Carl fazia. Por que a de Neil não faria? Eu não veria problema nisso se fosse qualquer outro apresentador. Mas estamos falando de Neil deGrasse Tyson. O cara que criticou abertamente as constelações mal retratadas no filme Titanic ou o cabelo imóvel de Sandra Bullock em órbita, em Gravidade. Uma das minhas maiores expectativas era que a série inovaria ao não apelar para esses tipos distorções para tornar a ciência mais estética. Fiquei desapontado ao ver o Cinturão de Asteroides densamente povoado, uma linha de montagem industrial dentro de um cloroplasto e até mesmo Neil deGrasse erguendo montanhas com telecinésia. Mas não devemos A produção conta com a participação dos criadores da série original, Ann Druyan e Steve Soter, e novos nomes: Seth MacFarlane e Brannon Braga. A produção conta com a participação dos criadores da série original, Ann Druyan e Steve Soter, e novos nomes: Seth MacFarlane e Brannon Braga.

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entre Carl e Neil e fez várias homenagens ao longo da série. Muitas citações foram narradas e em alguns momentos até a voz do próprio Sagan foi utilizada. Contudo, em alguns casos achei excessivo e desnecessário. Gostaria de ter visto mais da espontaneidade de Neil e não apenas ecos de Carl Sagan. Não vou entrar na questão se a série atual é melhor ou pior do que a original, ou ainda se Neil deGrasse está à 27 crucificar Tyson. O principal papel dele foi o de apresentar o programa. O roteiro, produção e direção estavam nas mãos de outras pessoas. A trilha sonora de Alan Silvestre tem seus altos e baixos. Diria mais altos do que baixos. Senti falta apenas de uma música mais marcante na abertura da série. Em nenhum momento Carl Sagan foi esquecido. A série relembrou a ligação AstroNova . N.03 . 2014 altura de Carl Sagan. Acho injusto fazer esses tipos de comparações. Diferente da época de Carl Sagan, hoje temos vários divulgadores de ciência utilizando de linguagens, mídias e recursos distintos. Cada um tem dado o melhor de si. Cada um tem cativado diferentes públicos. Algumas produções conseguem mais, outras menos. Todos estão fazendo o trabalho de divulgar a ciência. Se a intenção era continuar a jornada de Carl Sagan, servindo de inspiração para uma nova geração de futuros cientistas, a série cumpriu a tarefa. A série Cosmos é ambiciosa, promissora e com produção técnica impecável. Contudo, alguns exageros pontuais deveriam serem evitados, caso ela ganhe uma nova temporada. Em nenhum momento Carl Sagan foi esquecido. A série relembrou a ligação entre Carl e Neil e fez várias homenagens ao longo da série. A Nave da Imaginação foi totalmente redesenhada. AstroNova . N.03 . 2014

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28 Lucas Souza Céu Noturno Sabúadia-PR ASTROFOTOGRAFIAASTROFOTOGRAFIA

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Fernando Bortotti fernando_bortotti@hotmail.com Qual a importância da astronomia? Esta é uma pergunta que passa na cabeça de muitas pessoas. Este ensaio pretende tratar de alguns motivos que tornam esta ciência tão importante para o nosso desenvolvimento intelectual, social e cultural. A astronomia esteve muito bem enraizada nas diferentes culturas, já que é considerada a mais antiga das Ciências, pois desde os primórdios a espécie humana vem acompanhando o movimento dos corpos celestes, dando-lhes nomes (tanto para objetos celestes, quanto para fenômenos), achando padrões e procurando explicações para a configuração do céu, as quais começaram com explicações de origem divina. Assim muitas culturas identificavam objetos celestes com seus deuses, além de tomar os seus movimentos no céu como profecias sobre o que estava por vir. Tomemos, por exemplo, os nomes das constelações: Andrômeda, a donzela acorrentada da mitologia grega, ou Perseu, o semideus que a salvou. Também a astronomia era usada para razões mais práticas, como por exemplo, calendários, marcar estações 29 do ano, no cultivo da agricultura, saber o período das cheias de rios, na navegação, etc. Mas com o desenvolvimento do estudo da mecânica celeste a visão mística foi perdendo espaço para as explicações científicas, que se mostraram verdadeiras aproximações da realidade, e foram evoluindo com o passar do tempo (devido ao conhecimento já estabelecido e a novas tecnologias). Vale apena salientar que foi através da astronomia que os cientistas chegaram à conclusão de que existem leis inelutáveis (mas isso não foi da noite para o dia, levou vários séculos de estudos e dedicação, tivemos As contribuições da ASTRONOMIA As contribuições da ASTRONOMIA ASTRONOMIA E TECNOLOGIA

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Equipamento de tomografia por emissão de pósitrons 30 nesse tempo vários personagens), sendo ela que motivou o espírito capaz de compreender de fato a Natureza. Dessa forma podemos comandar a Natureza, uma vez que descobrindo as suas leis e os seus segredos. Em um nível mais premente, astronomia nos ajuda a estudar a forma de prolongar a sobrevivência de nossa espécie. Por exemplo, é fundamental estudar a influência do Sol no clima da Terra, como no tempo, na temperatura, etc. Além disso, o mapeamento do movimento de todos os objetos do nosso Sistema Solar, que nos permite prever as ameaças potenciais ao nosso planeta. Tais eventos podem causar grandes mudanças para o nosso mundo, como foi claramente demonstrado pelo impacto de um meteorito em Chelyabinsk , na Rússia, em 2013. Agora na sociedade moderna a Astronomia colaborou com todo o desenvolvimento tecnológico, tanto na área da saúde, quanto nas engenharias. Alguns dos exemplos mais úteis são os avanços em imagem e comunicação. Por exemplo, o Kodak Technical Pan é amplamente utilizado em espectroscopia e nas industriais, sendo originalmente criado para gravar as mudanças na estrutura da superfície do sol. O CCDs, foram utilizados pela primeira vez em astronomia em 1976. Dentro de poucos anos, eles tinham substituído o filme não só em telescópios, mas também em muitas câmeras pessoais. A melhoria e a popularidade dos CCDs é atribuída à decisão da NASA para usar a tecnologia de supersensível CCD sobre o Telescópio Espacial Hubble. Temos a criação do IDL que é utilizado para analisar amostras de núcleo ao redor campos de petróleo, bem como para a pesquisa de petróleo em geral. Na medicina temos a técnica de síntese de abertura, desenvolvido pelo astrônomo de rádio e ganhador do Prêmio Nobel, Martin Ryle. Esta tecnologia é utilizada em tomografia computadorizada, ressonância magnética , tomografia por emissão de pósitrons (PET) e muitas outras ferramentas de imagem médica. Junto com estas técnicas de imagem, a astronomia se desenvolveu muitas linguagens de programação que fazem processamento de imagem muito mais fácil, especificamente IDL e IRAF. AstroNova . N.03 . 2014 Dispositivo CCD Espectrômetro de raios gama

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AstroNova . N.03 . 2014 Essas línguas são amplamente utilizados para aplicações médicas. Também temos o desenvolvimento a rede local sem fio (WLAN). Em 1977, John O'Sullivan desenvolveu um método para melhorar as imagens a partir de um telescópio de rádio. Este mesmo método foi aplicado a sinais de rádio em geral, especialmente para aqueles que se dedicam ao fortalecimento de redes de computadores, que agora é parte integrante de todas as implementações de WLAN. Um espectrômetro de raios gama originalmente usado para analisar o solo lunar é agora utilizado como uma forma não- invasiva para sondar enfraquecimento estrutural de edifícios históricos ou de olhar para trás mosaicos frágeis. Além de vários softwares para processamento de imagens, ainda temos painéis solares, micro laser, computadores pessoais, satélites de comunicação, telemóveis, Sistema de Posicionamento Global (GPS) e tantas outras tecnologia criadas para a astronomia que depois passou a ser de uso popular. Observamos que principalmente na antiguidade a astronomia era algo mais prático, foi necessário seu desenvolvimento para a humanidade se desenvolver como sociedade. Mesmo após todas essas aplicações ainda há aqueles que não entendem a importância da Astronomia em nossa vida. E o que há de mais importante ou o mais belo da Astronomia não está nas aplicações apenas e sim no simples fato de observar o céu, ver como somos pequenos para o universo, ou pensar sobre a nossa origem cósmica, que vem da poeiras das estrelas. É essa visão, muitas vezes esquecida, que o matemático Henri Poincaré em seu livro O Valor da Ciência (1904)  escreve de forma brilhante sobre a Astronomia. Vale a pena finalizarmos com um trecho deste seu livro, onde ele diz que a Astronomia é útil porque nos eleva acima de nós mesmos; é útil porque é grande, é útil porque é bela; isso é o que se precisa dizer. É ela que nos mostra o quanto o homem é pequeno no corpo e o quanto é grande no espírito, já que nesta imensidão resplandecente, onde seu corpo não passa de um ponto obscuro, sua inteligência pode abarcar inteira, e dela fluir a silenciosa harmonia. Atingimos assim a consciência de nossa força, e isso é uma coisa pela qual jamais pagaríamos caro demais, porque essa consciência nos torna mais fortes . Bibliografia Astronomia e educação: Rodolpho Caniato. Why is Astronomy Important?: Marissa Rosenberg, Pedro Russo, Georgia Bladon, Lars Lindberg Christensen 31 Henry Poincaré

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Os Jipes RobóticosOs Jipes Robóticos Rafael Cândido Jr. eletrorafa@gmail.com As novas gerações de entusiastas da Astronomia certamente já viram na mídia referências aos jipes, também denominados rovers, enviados pela NASA para Marte e, recentemente, do jipe lunar Yutu, enviado pela Agência Espacial Chinesa (CNSA). Por simplicidade e uso comum na literatura específica de Engenharia Aeroespacial, o termo rover é o mais utilizado em publicações que não são escritas em inglês. Desta forma, o termo usado neste artigo será rover. O QUE É UM ROVER ESPACIAL? Define-se rover, ou também, jipe espacial, a todo sistema automotor, tripulado ou não, que seja utilizado em um corpo celeste que não a Terra. Tem como características principais a robustez (suportar variações de temperatura extremas, raios cósmicos, poeira e manter-se funcional), compacticidade (conter todos os sistemas fundamentais no menor espaço possível) e autonomia (capacidade de operação com a menor assistência possível). Todo rover chega ao corpo celeste de estudo por uma nave específica denominada lander (em português seria pousador) que auxilia a missão do rover. Assim, definido o que é um rover e suas 32 características principais, vamos iniciar um 'passeio' apenas com os não- tripulados para conhecer os diferentes rovers ao longo do tempo retrocedendo ao passado em Marte e na Lua. ROVERS MARCIANOS Curiosity É o rover da missão Mars Science Laboratory. O pouso ocorreu em 06/08/2012 na cratera Gale em Aeolis Palus. O local de pouso recebeu o nome de Bradbury Landing em homenagem ao escritor de ficção científica Ray Bradbury, autor de Crônicas Marciais, falecido alguns meses antes. Esta missão tem como metas a análise do clima, da geologia e das condições para a vida microbiana. A ENGENHARIA ESPACIAL

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33 duração prevista de operação do Curiosity é de 23 meses. O rover Curiosity caracteriza-se por ser um laboratório montando sobre um veículo automotor. Possui vários instrumentos de aquisição e análise de dados. Destacam-se: ChemCam (Chemistry and Camera Complex): Consiste de dois instrumentos diferentes combinados em um só, um espectroscópio laser e um sistema de imagens remotas. O primeiro provê imagens da composição elementar de solo e rochas e o segundo, imagens de alta resolução das áreas onde as amostras foram removidas para análise. HazCams (Hazard avoidance cameras): São quatro pares de câmeras em preto e branco para auxiliar na navegação dos rovers para reconhecimento do terreno, verificar posicionamento do braço robótico na coleta de amostras de solo e de rocha. Possuem ângulo de visão de 120° e mapeiam o terreno em até 3 m em volta do rover. O uso de algoritmos de reconhecimento de imagens evita que o rover possa colidir com rochas ou obstáculos inesperados. REMS (Rover Environmental Monitoring Station): É uma pequena base meteorológica embutida no rover para medidas de umidade, pressão, temperatura, velocidade dos ventos e índice de ultravioleta. Foi desenvolvimento por uma joint-venture entre o Centro de Astrobiologia de Madrid e o instituto Meteorológico Finlandês em Helsinki. DRT (Dust Removel Tool): É uma espécie de vassourinha motorizada usada no final do braço robótico para evitar que se acumule poeira nas junções mecânicas do sistema de recolhimento de amostras. RPS (Radioisotope Power Systems): Ao contrário de seus antecessores, o Curiosity não possui painéis solares como fonte de energia. A energia provém de geradores termoelétricos de radioisótopos, como foi utilizado nas Viking 1 e 2. Somente este tipo de fonte proveria a energia suficiente para manter todo o complexo laboratório e realizar experimentos que envolvem aquecimento de amostras. Spirit e Opportunity São as sondas gêmeas enviadas para Marte em 2004 na missão denominada Mars Exploration Rovers. Por ser a O rover Curiosity, da Nasa Técnicos trabalhando nas "gêmeas" Spirit e Opportunity

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34 AstroNova . N.03 . 2014 primeira a pousar, em 04/01/2004, a Spirit recebeu o código MER-A. Assim, a Opportunity, que pousou em 25/01/2004, foi denominada MER-B. A Opportunity pousou na cratera Eagle em Meridiani Planum e a Spirit pousou em Ma'adim Vallis na cratera Gusev, o local de pouso foi denominado Columbia Memorial Station, pois na tripulação da Columbia estava o astronauta israelense Ilan Ramon e o local de pouso (Ma'adim Vallis) significa Marte em hebraico. As metas para os dois rovers eram realizar a caracterização de rochas e solos, verificar atividade hidrotermal, procura por minerais e ferro e auxiliar na calibração de instrumentos do Mars Reconaissance Orbiter. Por serem naves gêmeas, iguais em tudo, ambas tinham duração prevista de 90 dias. No tentanto a Spirit operou por aproximadamente 6 anos e a Opportunity opera até hoje, chegando a 10 anos de operação! Inclusive, a Opportunity detém o segundo lugar de rover autônomo que mais se deslocou em outro mundo: 38,7 km até janeiro de 2014. Sojourner A primeira sonda da NASA enviada a Marte com um rover foi a Missão Pathfinder. Esta missão, cuja tradução do nome seria algo como 'encontrar o caminho', levava o rover Sojourner. O pouso aconteceu em 04/07/1997 em Ares Vallis e o local foi denominado Carl Sagan Memorial Station. Tinha como metas realizar a análise espectrométrica de rochas, avaliação de propriedades mecânicas e magnéticas do solo e comprovar que uma missão rápida, barata e melhor era factível (esta missão custou 150 milhões de dólares em 3 anos). Muitos dos principais instrumentos estavam no lander, o rover realizava algumas experiências de pequeno porte e foi um eficiente teste de comunicação entre rover e lander. Destaca-se a avaliação de aspereza do solo, as rodas do Sojourner foram pintadas com duas camadas de tinta a primeira era tinta fosforecente e a segunda cama era metálica, de modo que, na noite marciana o lander poderia registrar por foto as ranhuras na camada da tinta metálica vendo os traços de tinta fosforescente. A duração prevista era de 32 dias para o lander e de 7 dias para o rover. Porém a missão superou as expectativas, chegando a quase 10 meses de operação para o lander e 3 meses para o rover. Prop-M Pouco se fala sobre o pioneiro em Marte, devido principalmente às falhas de pouso de seus landers. O Prop-M foi criado pela URSS e enviado à Marte nas missões Mars 2 (1971) e Mars 3 (1973). O pequeno Sojourner, da Nasa O Prop-M, da NPO Lavochkin (URSS)

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35 Entretanto não era um rover autônomo, havia um cabo de 15 m conectado ao lander e seria colocado ao solo por um braço mecânico. O deslocamento seria a cada 1,5m com parada para análises e fotos, e se efetuava não por rodas mas por um sistema semelhante a esquis! Os Prop-M eram um teste para um rover denominado Marsokhod, mas, devido às falhas das naves de pouso, o Programa Mars foi suspenso. ROVERS LUNARES Yutu Em 14/12/2013, a China tornou-se o terceiro país a operar um rover espacial. Depois de 37 anos sem receber um pouso suave de uma nave (a última nave a pousar suavemente na Lua foi a soviética Luna 24 em 1976), o Programa Chang'e da Agência Espacial Chinesa (CNSA) pousa a nave Chang'e 3, que levava o rover Yutu, no Mare Imbrium Esta missão tem como metas realizar o pouso suave na Lua e estudar a composição do solo lunar. É base de estudos para as futuras missões Chang'e 4 e 5, que incluirão o retorno automático de amostras lunares. Lunokhod O primeiro rover espacial foi criado nas pranchetas da NPO Lavochkin, uma corporação soviética de sistemas espaciais, no final dos anos 60. Os primeiros Lunokhods foram testados em diferentes tipos de terrenos para se avaliar a robustez do chassi e dos sistemas mecânicos. Além de todo o desenvolvimento da parte de telecomunicação e mecânica, o programa Lunokhod desenvolveu também novos compostos químicos, dentre os quais um óleo de lubrificação que resiste à singularidade do ambiente lunar composto de hidrocarbonetos fluorados. Eram controlados remotamente e não eram dotados de sistemas de reconhecimento de imagens. Devido à 'proximidade' da Lua, era possível operá-los via rádio da Terra com apenas 1 segundo de atraso (algo impensável para um rover marciano, que pode chegar a AstroNova . N.03 . 2014 Os locais de pouso das expedições de rovers robóticos à Marte Já na Lua o Yutu, da CNSA (Agência Aeroespacial da China)

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36 AstroNova . N.03 . 2014 pelo menos 17 minutos de atraso dos sinais). Foram construídos 4 Lunokhods, porém o primeiro, denominado Lunokhod 201 (devido a seu número de fabricação), lançado em 1969 explodiu junto com o foguete que o levava. Apenas 2 foram enviados à Lua (missões Luna 17 e 21) e o último encontra-se exposto no museu da NPO Lavochkin. Apesar de serem Lunokhods, os rovers Lunokhod 1 e 2 não eram gêmeos (como o Spirit e o Opportunity). Haviam diferentes equipamentos em cada um deles. O Lunokhod 1 pousou em 17/11/1970 no Mare Imbrium. Com duração prevista de 80 dias, operou por 322 dias e percorreu 10, 5 km. O Lunokhod 2 pousou em Mare Serenitatis, na cratera Le Monnier. Também era previsto operar por 80 dias, operou por 4 meses e até janeiro de 2014 detinha o recorde de distância percorrida por um rover espacial: 42 km ! Os Lunokhods foram base inclusive para outros projetos que a URSS tinha: o Marsokhod e o Merkurikhod, que teria a propulsão na forma de lagarta usada em tanques de guerra. O projeto Lunokhod renasceu em 1986, porém não para ir à Lua, mas para auxiliar em um trágico acidente. A explosão do reator nuclear de Chernobyl levou à construção emergencial de um veículo controlado à distância e adaptado para remover os escombros contaminados evitando que até 1500 pessoas fossem expostas a perigosos níveis de radiação neste trabalho. Foi devido a este fato que o ocidente finalmente conheceu o inventivo engenheiro criador dos Lunokhod e projetou aqueles que seriam seus derivados: Alexander Leonovitch Kemurdzhian. E para encerrar este artigo, falaremos um pouco sobre ele. A SAGA DE ALEXANDER KEMURDZHIAN Alexander Leonovitch Kemurdzhian, de família e nacionalidade armênia, nasceu em 04/10/1921 em Vladikavkaz, capital da República Autônoma Soviética da Ossétia do Norte. Em 1940, entra para o curso de engenharia na Universidade Técnica Bauman de Moscou. Entretanto, com o advento da 2ª Guerra Mundial, oferece-se para o Exército em 1942, participando da Batalha de Kursk e da tomada da Pomerânia, sendo posteriormente condecorado como herói de guerra. Em 1951, gradua-se na Faculdade de engenharia de Transportes da Bauman e é Lunokhod, NPO Lavochkin (URSS)

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37 AstroNova . N.03 . 2014 enviado à Leningrado (atual São Petersburgo) para trabalhar na VNII TransMash, instituto de desenvolvimento de máquinas. No início dos anos 60, é convidado a fazer parte da NPO Lavochkin e consequentemente, participar do desenvolvimento de sistemas espaciais. Durante toda esta década, lidera o trabalho de concepção e desenvolvimento de chassis autopropulsados, denominados em russo de khods, tornando-se o pioneiro na área de Engenharia de Transporte Espacial. Alguns de seus projetos, os Prop-M e os Lunokhods são realizados, outros porém, devido aos problemas no programa espacial soviético, tem seus projetos arquivados. Devido ao acidente nuclear de Chernobyl, e ao uso de um Lunokhod (denominado STR-1) para o manejo dos escombros radioativos, o mundo acaba conhecendo finalmente o criador do projeto. Com o fim da URSS, a NASA e o JPL oferecem dinheiro ao governo russo para contratar Kemurdzhian como consultor. É a chance que ele tem para tornar realidade seu antigo sonho: o Marsokhod. Trabalha como consultor da NASA e do JPL de 1992 a 1997 contribuindo fortemente no projeto dos rovers a serem enviados a Marte. É inclusive homenageado pela União Astronômica Internacional que dá seu nome ao asteroide 5933. Em 1998, retorna à Rússia em definitivo e retoma suas atividades de professor de engenharia de máquinas e transportes, orientando várias teses de doutorado. Falece em 24/02/2003, aos 81 anos, na cidade de São Petersburgo. É sepultado no Cemitério Armênio Smolensk nesta mesma cidade. Este artigo é dedicado à sua memória. Bibliografia Soviet Robots in the Solar System - Marov, M. Y.; Huntress Jr, W. T.; Planetary Rovers - Ellery, A. Tank in the Moon, documentário francês sobre o Programa Lunokhod, com ênfase no seu projetista-chefe. O engenheiro Alexander Leonovitch Kemurdzhian, a mente por trás do design geral de todos os rovers atuais.

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Iniciando-se na Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Na edição anterior entendemos como diferenciar, pelo menos preliminarmente, as estrelas dos planetas, e como se dá o movimento dos astros no céu no decorrer de um dia ou de uma noite. Abordaremos agora alguns termos e conceitos relacionados com a sistematização da esfera celeste. AS CONSTELAÇÕES As estrelas que podemos ver na esfera celeste, mesmo a olho nu, são simplesmente muitíssimas: um pouco mais de oito mil. Para por ordem neste aparente caos, as várias civilizações, de maneira totalmente independente, procederam da mesma forma: organizaram as estrelas mais visíveis e brilhantes em grupos. Estes agrupamentos são chamados de constelações. Os vários povos faziam esses agrupamentos desenhando imagens, como um liga-pontos, criando figuras imaginárias que representavam elementos de seu cotidiano e de sua cultura. Por exemplo, o que conhecemos aqui no Brasil por "As Três Marias" eram, para os gregos da antiguidade clássica, o cinturão de um caçador mitológico chamado Órion; na cultura árabe, eram a cintura de um conjunto maior chamado "O Gigante"; na China compunham a constelação das "Três Estrelas"; para o povo da Polinésia, no Oceano Pacífico, eram o centro da "Cama de Gato"; e para nossos índios Tupi-Guarani, representava uma das pernas da constelação do "Homem Velho". Mas independente "do que" os antigos viam, uma aplicação importante estava por trás desta prática: esta era uma maneira de organizar o céu e se localizar nele. As estrelas que compõem as constelações não possuem ligação entre si. As distâncias entre elas também variam muito: umas mais próximas de nós, outras muito mais As constelações OBSERVAÇÃO DO CÉU 38 AstroNova . N.03 . 2014

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39 AstroNova . N.03 . 2014 distantes (figura 1). A impressão de que as estrelas estão dispostas umas ao lado das outras sobre uma superfície esférica é uma aparência de perspectiva. A estrela mais brilhante de uma constelação é a alfa (a). A segunda mais brilhante, a beta (b), e assim por diante, seguindo as letras do alfabeto grego (a,b,g,d,e...). Por exemplo: a estrela mais brilhante da constelação de Cão Maior é a alfa de Cão Maior, também chamada de Sírius, a estrela mais brilhante do hemisfério sul. Em 1929 a União Astronômica Internacional adotou 88 constelações oficiais. Estas constelações englobam várias culturas, de seres mitológicos da grécia clássica, como a constelação do Centauro, até instrumentos científicos modernos, como a constelação do Microscópio. Todas as constelações foram definidas por Claudius Ptolomaeus(150 d.C.), Johann Bayer (1572-1625), Johannes Hevelius (1611- 1689) e Nicolas Louis de Lacaille (1713-1762). Cada constelação tem uma área delimitada, de modo que qualquer outra estrela ali presente faz parte daquela constelação. Dependendo do hemisfério da Terra que o observador se encontra, várias constelações do outro hemisfério não serão observáveis. A maioria de nós do Brasil, que vive no hemisfério sul, jamais verá por exemplo as constelações da Ursa Menor e de Cefeu. Já um observador nas altas latitudes do hemisfério http://astro.if.ufrgs.br/const.htm 1. 2. 3. 1. As estrelas que compõem a constelação de Órion; 2. A região da constelação de Órion; 3. A real disposição das estrelas que compõem Órion. Esfera celeste Constelações do Hemisfério Sul norte nunca verá o Cruzeiro do Sul. Apenas um observador localizado no equador (latitude zero grau) poderá ver praticamente todas as constelações, no decorrer de um ano. A concepção das constelações e as histórias mitológicas nelas envolvidas foram importantes para os navegadores. Elas ajudavam os marujos a localizarem-se no céu para poderem posteriormente fazer as medições de interesse náutico a fim de descobrirem as coordenadas do globo por onde navegavam. Na mitologia grega, por exemplo, Órion era um caçador que aterrorizada a floresta de uma deusa. Esta então enviou um escorpião gigante para picá-lo, iniciando uma Figura 1

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40 AstroNova . N.03 . 2014 A constelação de Órion. No centro as "três marias" formam seu cinturão. Foto de Lucas Souza. longa perseguição. É por isso que as constelações de Órion e Escorpião estão em posições opostas do céu. Quando o Escorpião surge, Órion se põe. Quando o Escorpião se põe, é Órion que surge. Portanto, reconhecer uma destas constelações já permite estimar onde está a outra, e assim se constroi uma rede de referências para as medições náuticas. AS CONSTELAÇÕES COMO REFERÊNCIA Tendo as constelações devidamente "mapeadas", podemos usá-las como referência para localizar outros astros ou determinar a posição de fenômenos. Vejamos algumas situações. No dia 6 de julho de 2014, próximo das 22h30min, o planeta Marte e a Lua se localizavam na constelação da Virgem (figura 2). Já na noite de 17 de agosto, no mesmo horário, Marte estará sobre a constelação de Libra, e a Lua sequer estará visível neste horário (figura 3). As chamadas "chuvas de meteoros" tem seus nomes derivados das constelações de onde parecem se originar. Na noite entre 21 e 22 de abril ocorreu o máximo de uma chuva de meteoros que, olhando no céu, pareciam vir da constelação da Lira. Por Marte Marte Lua Figura 2 Figura 3 Constelações do Hemisfério Norte

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